Correndo juntos na vida e no esporte

Acordar às 3h da madrugada para uma ponte aérea até o Rio de Janeiro onde, após apanhar um táxi e fazer checkin-in no hotel, mal se tem tempo para descansar antes de correr uma maratona de 21 quilômetros. Parece puxado? E que tal seguir uma rígida planilha de treinamento, com atividades seis dias por semana, e realizar acompanhamento com nutricionista, cardiologista e ortopedista buscando tirar o melhor proveito possível de seu corpo? Difícil? O que para muitos jovens acostumados a praticar apenas levantamento de smartphones e maratonas de séries na internet significaria o total terror, para o casal de associados do PMFC Antonio e Jeanete Antunes, de 76 e 74 anos respectivamente, é além de rotina, um grande prazer.

A união na vida entre Jeanete e Antunes começou na década de 1960. Casados há 53 anos, chamam a atenção nas competições de corrida das quais participam não apenas pela vitalidade que apresentam, mas por ostentarem, juntos, diversas vitórias. “Quando há uma competição, sempre vemos destaques nas modalidades masculino e feminino, mas dificilmente são um casal, como nós”, destaca Jeanete. Antunes complementa:  “O que nos deixa feliz, além de nossas conquistas, é a equiparação que temos com os jovens. Quando entramos nos grupos não somos discriminados, somos tratados de igual para igual”.


O começo

“Eu comecei por indicação médica. Perdemos um filho e tive, neste período, que fazer inclusive um cateterismo”, conta Jeanete quando questionada em que momento começara a levar as atividades físicas à sério. Fábio Antunes, filho de Antonio e Jeanete, era piloto de aviões de carreira. No fatídico ano de 1988, levava um grupo de executivos a uma feira internacional de embalagens no Rio de Janeiro. Na volta, houve uma pane.  “Foi por ali pela área onde morreu o Ulisses Guimarães e agora o ministro Teori Zavascki (no largo de Angra dos Reis). Encontraram apenas o corpo de um dos passageiros e uma parte da asa. Ele tinha 21 anos. Era um dos melhores do aeroclube”, relembra Jeanete. “Eu era uma pessoa ativa e, com a morte do Fábio, dei uma parada total. Realizei o cateterismo, e o médico me orientou a voltar para a atividade física forte. Fiz hidroginástica, mas não me adaptei, então comecei na esteira e, aos pouquinhos,  fui melhorando.

Antunes aposentara-se do cargo de executivo de uma empresa alemã  alguns anos após a morte do filho, aos 58 anos de idade. Ele viu, a partir de então, sua saúde se agravar gradativamente. “Tive um aumento no peso e problemas com pressão, colesterol etc. Cheguei a pesar quase 87 quilos, sendo que meu peso ideal é 73. Foi em meados dos anos 2000 que fui convencido pela Jeanete, que já frequentava a academia do Clube, a me exercitar regularmente, e isso ajudou muito. No decorrer de minha convivência na academia conheci pessoas que participavam de corridas e maratonas, o que também me estimulou.  Segui na esteira, como a Jeanete, aos pouquinhos, e comecei a me sentir bem - tanto, que nunca mais parei de correr”.


Vitórias

Na categoria de atletas, Jeanete e Antunes começaram com o intervalo de tempo de apenas um ano de diferença. “Jeanete começou primeiro do que eu, entre 2007 e 2008, e isso foi muito marcante para mim, pois, no Clube estavam procurando pessoas para participar da maratona de revezamento do Pão de Açucar, que são 42 quilômetros no total. Ela participou e vê-la correr me deu uma baita dor de cotovelo. Eu sabia que podia fazer isso também, e resolvi fazer,” brinca Antunes.


“Acho que temos uns cinquenta troféus”, conta Jeanete. “Isso sem falar as medalhas”, emenda Antunes, tomando à dianteira da conversa: “De lá para cá, já participamos de mais de 200 competições variando entre 10, 15 e 20km. O que tento passar para o pessoal é para pegar firme, pois é bom para a saúde. Não é apenas para ser atleta. Em termos de qualidade de vida há uma melhoria, e sempre é tempo para se desenvolver numa atividade física, que é o que nos possibilita até mesmo encarar positivamente os problemas do dia a dia”.

Jeanete, por sua vez, faz questão de lembrar dos professores que os ajudaram - e ajudam - nesta jornada. “Saímos do zero e graças a profissionais como a Vania Gutierrez, que nos treinou no início, e a Paula Lúcia Leite da Cruz, que nos acompanha hoje, temos uma posição e um comportamento de atletas”, finaliza ela.



*Matéria originalmente publicada na edição de Fevereiro de  2017 da revista Informando Primeiro, do PMFC.




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